Pular para o conteúdo
Microconto

Campeonatos de microcontos · Autores

@reginaruthrinconcaires

82 microcontos nos campeonatos 11º, 5º e 4º.

11º campeonato 13

11º campeonato · Diálogo

SINTONIA

Sem pronunciar palavra, os olhos da criança falavam: “Vó, como é bom ter você por perto, você é nossa fortaleza.“. E o olhar da avó, sabedor do tão velado apelo, respondia: “Nada disso, menina! Em cada mourão deste forte tem o amor puro e incondicional de um de vocês...”.

11º campeonato · Fotografia

DESARRIMO

Lambe-lambe desiludido, Bartolo relembra com saudade as saraivadas de cliques da velha máquina sobre tripé. Soavam feito música. Agora, velho e indigente, só lhe resta ouvir o tilintar dos míseros níqueis atirados por mãos caridosas naquele chapéu ordinário...

11º campeonato · Ficção

NONSENSE

No velório, observa o esquálido perfil do amigo. Ainda ontem, eles conversaram. Uma penca de planos, tanta proeza a ser vivida! Dizia que nunca se sentira tão completo, tão confiante. Contava que haveria tempo de sobra para realizar todos os sonhos postergados. Enumerava-os. Pena a morte não ter ouvido a conversa...

11º campeonato · Cobre

ESTIGMA

Aviltada, arrastada por centenas de metros presa ao carro, sentindo a dor aguda do asfalto dilacerando suas carnes, o primeiro gesto que a infeliz mulher fez. ao se desvencilhar daquilo e se vendo seminua, foi cobrir as vergonhas...

11º campeonato · Melancia

PAÚRA

Moleque arisco. A largueza podia ser vista como cabortice, mas não era. O pai ficava cismado, puxava o freio, mas o brilho cativante daqueles olhinhos vivos o dobrava. Sorria com os olhos. O temor era que o bacuri pegasse gosto de bulir com tudo, como fazia com a roça de melancia do vizinho. A vida não perdoa ladrão.

11º campeonato · Ano

IDADE DA INOCÊNCIA

Com apenas três aninhos, a netinha pergunta:
− Vovó, quantos anos você tem?
− 62...
− Nossa! É muito caro, né?

11º campeonato · Ano

“MINHA HISTÓRIA”

Carregava essa intuição. Firme presságio. Um dia, com certeza, eu o encontraria. Mas, com tatuagem no braço e dourado no dente, eram tantos! Esperançoso, aflito, eu andava feito doido pelo cais. Anos e anos a fio. Como procurei por você, pai!

11º campeonato · Ano

SENTENÇA

Era fala antiga, repetida por anos e anos. O bem-querer tem duas mãos. Só de ida, pode apenas passar pelo outro. Sendo de ida e volta, haverá o encontro. Alertou. E como cuidou! Um dia, desencantada, não quis migalhas. Não mais! Juntou os trastes, vestiu a melhor roupa, bateu a porta. E não levou a chave.

11º campeonato · Toa

SEIVA

Tirante os dias de chuva, no cair da noite, corpo moído com a lida na terra, Tião saía pro terreiro. Abraçado à velha sanfona, dedilhava sons banzeados que brotavam da alma. Não cantava. No sentir da toada, entregava-se aos mais ingovernáveis devaneios. Flutuava, não havia gaiola pros pensamentos, esculpia sonhos, e assim ele se refazia. A música era a fonte de temperança...

11º campeonato · Toa

OCASO

Parecia uma sinfonia combinada. Nem bem o sino começava a repicar, no serviço de alto-falante, os acordes da “Ave Maria” soavam. A toada era muito forte, alcançava toda a vila. No peito, uma sensível mescla de paz e amargura gerava desconforto. E, mesmo depois de tantos anos, aquela sensação ainda persiste. Hoje, somada à lembrança, ficou a saudade.

11º campeonato · Toa

DESCARREGO

No terreiro, sob o luar e ao som dos violeiros, os colonos entoavam a cantoria. Louvores, toadas. Eu gostava dos repentes. Quando soava o riscado tremido da viola, os rostos se lumiavam na espera dos versos inundados de zombarias, de críticas endereçadas a aliados e a desafetos. E o converseiro musicado dos cantadores atiçava ruidosas gargalhadas. Debochadamente, das sátiras vertiam palavras entaladas na garganta de muitos...

11º campeonato · Umbigo

PURA TERNURA

− Isis, eu tô vendo um buraco na sua barriga! Meu Deus!

− Não, vovó, “num é buracu”, não... “Num pecisa ficá peocupada"! É meu "bigo"!!!

11º campeonato · Moeda

OUTRORA

Não era assim, nem tudo era dinheiro. Nas casas, hortas imensas, pomares e galinheiros. Sem muros, tudo se ajuntava. Se havia preocupação, ficava só com os adultos. Criança não percebia. Talvez a leveza viesse da fartura, do escambo, da generosidade. Ou da desambição. Só sei que, definitivamente, não era assim.

5º campeonato 12

5º campeonato · Bolinha

Tema do dia: BOLINHAS

− Minha florzinha, a vovó não ficou lindinha com esse vestido novo todo pretinho com bolinhas brancas?!
...
− Nossa! Vovó do céu!!! Você “tá igalzinha” a galinha d’angola daquela historinha “qui” você leu “pá” mim, “lemba”?!

5º campeonato · Palhaço

Tema do dia: PALHAÇO

Isis cantando...

“Amor sem “bejinhu”
“Buchecha” sem “Caudinho”
“Sô” eu, assim sem você
Circo sem “paliaço”
“Namoru” sem “amassu”
“Sô” eu, assim sem você...”

− Vovó, você já “expicô qui Buchecha i Caudinho” era uma “dupa qui” cantava, “mais, u qui” é “namoru” sem “amassu”?!

− É o mesmo que namoro sem ABRAÇO, minha flor!!!!!

(misericórdia, será que colou?!)

5º campeonato · Palhaço

Tema do dia: PALHAÇO

Enquanto retira a fantasia, o palhaço chora. Pelo rosto, ainda pintado, lágrimas dão escape à angústia assimilada daqueles rostinhos carentes, dos corpinhos frágeis dispostos na alvura da enfermaria. Lá, precisa ser forte, engraçado, aflorar risos. Por minutos, dribla a doença, vira remédio.

5º campeonato · Palhaço

Palavra do dia: PALHAÇO

Sempre enfiado em velhas e pesadas roupas que lhe cobriam o corpo todo, ele dizia ser soldado. No cinto, afivelado na esquálida cintura, ficava a única arma de ataque e defesa, um estilingue ensebado. Pregava como militante da fé. Leso, não percebia o escárnio, não se achava o bobo da corte. Inocente, era apenas o milico Bié. E batia continência...

5º campeonato · Marca

Tema do dia: MARCA

Durante toda a vida, apontava, uma a uma, cada cicatriz cravada na pele, recontando as mais temerárias diabruras da infância. Moleque arteiro! Terror dos professores, desassossego das mães da vila, amado pelos coleguinhas. Sempre arrastava o bando. Hoje, sem nem mesmo ser capaz de distinguir o dia da noite, alisa aquelas marcas que nada mais lhe dizem.

5º campeonato · Marca

Tema do dia: MARCA

Até hoje se gaba da fama. Naquela época, entre todos os engraxates, era ele o que mais faturava. Botas de cano alto eram a sua especialidade. Gastava mais com graxa, mas cobrava dobrado! Tempo bom... Ainda não havia a febre dos tênis. E, bisbilhoteiro de marca maior, ele vivia de butuca nas conversas quase sussurradas que ocorriam na praça. Conhecia até as mais escabrosas intimidades da vila...

5º campeonato · Baralho

Tema do dia: BARALHO

− Pronto, já joguei! É a sua vez, minha flor!!!

− “Caaalma”, vovó!!! Eu sei “qui” você já “jogô”, eu vi!!!

− Uai, se você viu, por que você não joga?!

− Ei, vovó, viu! Você “num” vê “qui” eu “tô tentandu pensá na menti”?!

− Huumm!!!

5º campeonato · Desejo

Tema do dia: DESEJO

Exaurida, fiapo de gente. Ainda assim, arquitetava a fuga. Envolta no desatino de um amor sublime, deixou que, pouco a pouco, a dignidade lhe fosse sugada. Sem desejos. Coisificada. Impiedosos e insaciáveis tentáculos a aprisionaram. Arrastou-se, chegou à porta, mas não foi capaz de abri-la...

5º campeonato · Desejo

Tema do dia: DESEJO

No fim, desejo que minhas córneas façam luz, que meus pulmões respirem vida, que meus rins filtrem esperanças, que minha pele cicatrize feridas, e que meu coração continue pulsando de amor. Lá, do outro lado, minha alma estará em paz...

5º campeonato · Desejo

Tema do dia: DESEJO

Era a mulher mais bonita do lugar. Olhada de través, arrancava suspiros maliciosos dos homens e aflorava a vaidade dormida das fêmeas. Meretriz, além da paga em dinheiro, deliciava-se com a certeza de que, nas noites, povoava pensamentos e transformava os castos leitos da vila em pecaminosas alcovas...

5º campeonato · Estrela

Tema: ESTRELA “caventi” (cadente)

− Vovó, esse negócio “di” você “durmi cu’a” janela aberta, “oliando u” céu é da hora, né?!!! “Ultramegapálmer” legal!!!
− Ah! Eu só sei dormir assim! Com janela aberta e vendo o céu...
− Lá “im” casa, nem “pensá”!!! A mamãe tranca tudinho!
− Claro, né?! Vocês são crianças, é preciso ter cuidado!
− Já sei!!! A “genti inda” é “piqueno”, a mamãe “sábi u qui pódi i u qui num pódi”, já “intendi”, vovó!!! “Mais” quando eu “crescê, pódisperá, vô fazê qui” nem você!!! “Vô durmi” na cama “incostada” na janela aberta “oliando” as “istrêla caventi”... Ai, “qui” delícia!!!

5º campeonato · Pétala

Tema: PÉTALA

− Vovó, eu fui “nu niver” da “Fêr”!!!
− Que delícia!
− Você “pecisava vê qui” festa linda, vovó! A velinha “du bolu” era uma “fôr, i cando” a “genti cabô di cantá u” parabéns, a “fôr ficô abida”!!! As “pétulas tava tudu” assim, ó! “Paricia” um girassol “deitadu, intendeu”?!

4º campeonato 57

4º campeonato · Abóbada

Unindo partes

Era costureira sem máquina. Cerzia as feridas, aparava as farpas dos desalinhos, remendava as fendas deixadas pelos desajustes, enesgava cortinas contra os medos, alinhavava sonhos, plissava as dores das desilusões. E, da vida, ela tecia colchas de retalhos com todos os seus amores. Era minha avó...

4º campeonato · Abóbada

MOSAICO

Peles vermelhas, brancas, negras. Dos donos, invasores, escravos. Por séculos, nos gemidos das noites de dor e de amor, a aquarela entornou dentro dos corpos. Como por encanto, dessa alquimia de tons, saberes e sonhos, metamorfoseado, foi parido o couro tupiniquim. Obra-prima...

4º campeonato · Receita

DELINEANDO CERNES

Depois de fazer as tranças de pão doce, juntando o rescaldo de massa das bordas da gamela, cuidava em moldar os patinhos para os netos. Eram nove; todos ali, em sua volta, girando feito as galinhas do terreiro na hora do trato. Com as mãos, ela fazia o pequeno cordão, dava-lhe um nó, modelava o pescoço e a cabeça, o bico do bichinho, e salpicava bênçãos. Hóstia consagrada...

4º campeonato · Receita

RITUAL

Domingo era dia de macarronada com frango. Sem arrelia, cada um pegava o pedaço escolhido, eleito. A votação fora feita de maneira silenciosa, escrutinada pelos olhos zelosos da mãe. Respeitado o sufrágio, o sabor era sempre do mais abençoado banquete...

4º campeonato · Receita

Aprendendo...

− “Iscuta” a musiquinha nova, vovó!!!

“Hoji” a “cumida” é boa
Tem filé “di bódi”
Sopa “di musquitu”
Salada “di bigódi”

“I di sobimêsa”
Mocotó “di” lesma
“I di refigeranti”
Xixi “di elefanti”

Quem “falá”
Quem “falá”
“Cômi” a “cumida”

Um, dois, “têis”
Um, dois,” têis”
“catu, cincu”, seis.

“Shiu”!!!

(achei lindinho e falei: ai, que lindo! Ela gritou: “Comeu!!!!!!!!!!”)

4º campeonato · Receita

SEM PECADO

Perdida entre temperos de toda sorte, procurava o sabor da sopa que lhe era servida, lá, na infância. Puro devaneio. A alquimia não se completava. A inocência, ingrediente principal, ficara pelo caminho.

4º campeonato · Receita

ALUADO

Sempre enfiado em velhas e pesadas roupas que lhe cobriam o corpo todo, ele dizia ser soldado. No cinto, afivelado na esquálida cintura, ficava a única arma de ataque e defesa, um estilingue ensebado. Pregava como militante da fé. Leso, não percebia o escárnio, não se achava o bobo da corte. Inocente, era apenas o milico Bié. E batia continência...

4º campeonato · Receita

FRETEIRO DISSIMULADO

Não. Não era São Bernardo. Era vira-lata genuíno. E danado de sabido. Tião Canabrava inventou uma coleira que carregava um pequeno barril. Bastava amarrar um dinheirinho no costado daquela estrovenga e o bicho, afobado, rumava pro bar do Seu Maneco. Tudo combinado, a cachaça chegava na maior ligeireza. Nunca deu bode.

4º campeonato · Drama

AYLAN KURD

Vestindo a melhor roupa, saiu em busca da paz. No aconchego dos braços mornos do pai, faria a travessia. Fuga arriscada. Todos apinhados na rasa barcaça. De repente, os terrores do mar. Ele ouvia gritar seu nome, cada vez mais distante. No outro dia, o mundo inteiro viu seu corpinho na praia. E chorou...

4º campeonato · Drama

PESAR ETERNO

No silêncio da madrugada, da outra casa, parede-meia, conseguia ouvir desaforos sussurrados, gemidos de dor, choros abafados. No claro do dia, eu avistava um casal comum, tirante o olhar arisco da mulher. Da crueldade velada, da violência reiterada, nunca ouvi pedido de socorro. Apenas o estampido...

4º campeonato · Romance

REMINISCÊNCIA...

Foi num repente. Vindo de tão longe, trouxe, junto com um sorriso que fazia covinhas nas bochechas, o primeiro beijo. Mostrou mundos encantados, novos horizontes e sonhos. E, assim como veio, partiu. Era preciso, tinha de ser. Ou não ser. Até hoje, quando o pensamento desamassa o passado, o arrepio corre pelo corpo.

4º campeonato · Romance

Inventário concluído...

De lábios roxos, a boca cerrada e fria sepulta a tristeza das palavras duras, dos desagravos, dos impropérios. Encova, também, a doçura das juras de amor. Agora, o encanto do primeiro beijo, esse, não. Você não levará. Ficou tatuado em mim.

4º campeonato · Romance

FINGIDOR...

Garboso, sagaz, cortês, possuidor de lábia fagueira, era um típico conquistador. A lisonja exalada virava obsessão. Pobres mulheres. Em tempos remotos, dizia ser corretor. E era. Em cada praça, vendia ilusões e comprava todos os sonhos. Mercador de corações. Dos calotes, muitos rebentos eram deixados pelo caminho. E muitos nem nasceram...

4º campeonato · Fantasia

DESPERTANDO DE UM SONHO

As luzes coloridas refletiam nos olhinhos inocentes. Estava imersa naquele encantamento, fascinada. As mãozinhas, coladas na vitrine iluminada pela decoração de Natal, suavam de tanta excitação. Olhava tudo, imaginava, flutuava. Ficou assim por minutos, até ouvir o chamado do pai: “Vamos logo, não podemos perder o lugar debaixo da marquise!”.

4º campeonato · Fantasia

TERNURA PALIATIVA

Enquanto retira a fantasia, o palhaço chora. Pelo rosto, ainda pintado, lágrimas dão escape à angústia assimilada daqueles rostinhos carentes, dos corpinhos frágeis dispostos na alvura da enfermaria. Lá, precisa ser forte, engraçado, aflorar risos. Por minutos, dribla a doença, vira remédio.

4º campeonato · Fantasia

DE LAGARTA A BORBOLETA

Era a mulher mais bonita do lugar. Olhada de través, arrancava suspiros maliciosos dos homens e aflorava a vaidade dormida das fêmeas. Meretriz, além da paga em dinheiro, deliciava-se com a certeza de que, nas noites, povoava pensamentos e transformava os castos leitos da vila em pecaminosas alcovas...

4º campeonato · Fantasia

A ENCENAÇÃO DEU RUIM...

− Vovó, “vamo bincá di” boneca?! Eu “sô” a “Daculaura i” você é a Lobinha, tá bom?
− Tá bom...
...
− UUUUUHHHHHHHHHHHHH!!!!!!
− Vovó, você “num tá pestandu tenção” na “bincadêra”! Assim “num” vai “dá”!!!
− Uai, o que foi?!
− “Ólia” lá fora!!! Você “num tá vendu qui tá” um baita sol?!
− Claro que tô vendo!!!
− “Intão, “pur quê” você “tá fazendu êssi barúlio”?!
−Uai, a Lobinha não uiva?!
− Vovó “du” céu! A Lobinha só “fáiz UUUUHHHHH di noiti, cando” ela vira loba “i” vai na montanha “oliá pá” lua,” intendeu”?!
− Ah! Entendi...

4º campeonato · Fantasia

“A VIDA DA PORTA-ESTANDARTE”

Era do último bloco, do último dia, atrás da última escola. Metida no uniforme laranja, o escovão como estandarte, pisava na avenida. Com o som da bateria na dispersão, distante, sambava rodopiando feito porta-bandeira. Feliz, chorava. Sabia que a mãe, de algum cantinho do céu, via e se orgulhava do feito daquela “margarida”...

4º campeonato · Fantasia

REVIRANDO OS TEMPOS...

− Vovó, eu “tô insaiando pá apesentação, i” a gente canta aquela musiquinha “qui” fala assim, ó:

“eu tenho um coração,
“cansadu di choráááá”
A “fécha du” amor
Só “táiz ambústia i” a “dôôôôr”...”

- Você “conhéci”, vovó?!

4º campeonato · Fantasia

DELICADEZA...

− Maria Santíssima! Então o meu ronco é forte, faz um barulhão danado?!

− Não, vovó!!! Eu “num” falei isso! Eu falei “qui cando” você “dórmi”, você “fáiz” um “barulinho”... “Num” é um “roncão qui nem u du” vovô, “u” seu é “igal” aquele “barulinho qui” a “genti fáiz cando tá enchendu bixiga, sábi”?!

4º campeonato · Fantasia

OUVIDINHO TREINADO...

− Vovó, “achu qui” é “u” vovô “qui tá” chegando!
− Uai! Como é que você sabe?!
− “Tô iscutandu u subio" dele...

4º campeonato · Fantasia

CAMUFLANDO...

Isis cantando...

“Amor sem “bejinhu”
“Buchecha” sem “Caudinho”
“Sô” eu, assim sem você
Circo sem “paliaço”
“Namoru” sem “amassu”
“Sô” eu, assim sem você...”

− Vovó, você já “expicô qui Buchecha i Caudinho” era uma “dupa qui” cantava, “mais, u qui” é “namoru” sem “amassu”?!

− É o mesmo que namoro sem ABRAÇO, minha flor!!!!!

(misericórdia, será que colou?!)

4º campeonato · Fantasia

Sempre fica o perfume...

− Vovó, você “mi” chama “di neguinha fulô, i” lá na “iscóla”, "ôto" dia, a "pofessora colocô" uma musiquinha “qui” fala: "pisa na fulô, pisa na fulô..." − "Lembei di” você, vovó...

4º campeonato · Fantasia

APARENTE CONTRADITA

− Nossa, vovó!!! “Comu” você gosta dessa música, né?!

− Adoro!!! Você não gosta?!

− Eu gosto, “mais u nomi” dela é “muuuuuito istanhu”! “Vélia” Infância, você acha “qui pódi”?! “Si” é infância “intão num” é “vélia”, uai!!!

(um dia, ela vai “intendê”...)

4º campeonato · Fantasia

QUADRIGÊMEOS...

− Vovó, a mamãe “tava mi expicando qui cando” eu era bem “piquinininha”, na barriga dela, a minha “cumidinha entava” pelo “bigo”! Eu comia pelo “bigo”, vovó, você acha?!
− E é verdade! O alimento ia pelo seu umbigo...
− Aí ela “mi mostô” uma “mulér qui” teve “catogênios“! Imagina “qui tabálio” era “levá cumidinha pá cato bigos”, vovó?!

4º campeonato · Fantasia

DOÇURA LÓGICA...

− Vovó, “u cocozin” da borboleta deve “sê” bem “cherosin”, né?

− Por que você diz isso?!

− Uai, vovó, ela só “comi” florzinha!!!

4º campeonato · Fantasia

CRESCER DÓI...

− Dureza, vovó! Amanhã é dia da Tia Bel...

− Verdade?!

− “Num” tem “jeitu”! Meu “dentinhu tá” mole “i num” cai... “U ôto”, você “lemba”?! A mamãe “tirô, mais dueu seti “minutu”!!! Agora ela “num qué tirá”, disse “qui” dá “agunia”!!!!!

(ôôôô dó...)

4º campeonato · Fantasia

ACALMANDO O ESPÍRITO

− Isis, tá na hora de trocar o brinquinho! Tá muito pequeno!
− Não, vovó, “inda” não.
− Por quê?
− “Purquê inda num isquecí” da dorzinha desse aqui!
− Não, Isis, não vai furar de novo, é só trocar o brinco!
− Vovó, a mamãe já “ixpimentô tirá”, “mais inda num tô peparada”...

4º campeonato · Fantasia

SIMPLES, SIMPLÍSSIMO, SIMPLÉRRIMO...

− Vovó, na aula passada, a professora “insinô u usu” da vírgula, du pontu, du pontu i” vírgula, “dus” dois “pontus, du pontu di” interrogação “i du pontu di” exclamação!

− Nossa Senhora, complicado, né?!

− Nada, vovó, é só “intendê qui” cada “símbolu” tem um “significadu específicu”, só “issu”!

(misericórdia...)

4º campeonato · Fantasia

CAUTELOSA...

− Vovó, lá “nu círcolo” tinha uma moça “cum vestidu di bainarina”, “liiiiiindo”, “i” ela “equilibava” as “coisa nu” nariz!!! Você “aquedita”?! Fui “tentá fazê” lá “im” casa... “Inda” bem “qui u cópu” era “di pástico”...

4º campeonato · Fantasia

JUNTANDO OS PELOS...

− Vovó, “cando” a mamãe “num” tinha “eu i” nem “u” Tutu, ela “morô” numa casa “qui” tinha “têis gato”!!! Você “sábi qui” ela “aaaama bichinhu”, né?!

− É, eu sei...

− “Intão”, um dia a “impessora” dela “parô di funcioná, i” ela “levô pá arrumá”... “U môçu qui consertô falô pá” ela “qui u tantu di” pêlo “qui” tinha “dento da impessora”, dava “pá fazê” um gato!!! Você acha?! “Num dá pá fazê” um gato, né, vovó?!

4º campeonato · Fantasia

METAMORFOSEANDO...

− Vovó, “ólia qui interessanti”: eu gostava “di bincá cu’a Bárbi”, agora eu “góstu di bincá cu’a Monsterrái”; eu gostava “di” rosa “i” agora eu “góstu di roxu”; eu gostava “di doci di” banana “i” agora eu “góstu di chocolati”; a minha “futa peferida” era mamão, agora é banana!!! Eu “tô diferentandu”, né, vovó?!

4º campeonato · Fantasia

SERÁ????????

Na piscina...

− Vovó, “pur quê” você fica “batendu” as pernas “dessi tantão”?!
− É exercício pra emagrecer, uai!
− “Num dianta”, vovó... Você “num” viu na televisão “qui’a” pessoa “pecisa suá pá imaguecê”?! “Dento” da piscina “num dá pá suá”, né, vovó?!!!
...

4º campeonato · Fantasia

TENTANDO EXPLICAR...

Na piscina:

− Vovó, “ólia”!!! Aquelas duas “libélolas tão gudadas”!!!
− Não, Isis, é uma libélula grande...
− “Num” é, vovó! São duas “gudadas, fáiz pempo qui” eu “tô vendu” elas “i” elas “num disgudam”!!!
− Então elas devem estar passeando de mãos dadas, namorando...
− É. “Dévi sê issu”...
...

4º campeonato · Fantasia

UM ALÍVIO...

− Vovó “du” céu!!! Você “num tá vendu qui” a linha “tá muitu longi” da “gúlia”?! “Fáiz” um “pempão qui” você “tá tentandu infiá” na “gúlia”! Assim você “num” vai “acertá” nunca!!!

− É, tá difícil... Não tô enxergando direito e o buraquinho é muito pequeno, uai!

− “Vamu fazê” assim, vovó: eu “infio” a linha “nu buraquin” da “gúlia, i cando” a linha “saí du ôto ladu”, você puxa, tá bom?!
...

(a parceria vem dando certo! kkkk)

4º campeonato · Fantasia

NINGUÉM ENGANA A BICHINHA...

− Minha flor, eu posso colocar um pouquinho de cenoura ralada no seu arroz?!
− Não, vovó, eu “num góstu di cenôra”, você “sábi”...
− Mas eu fico preocupada, cenoura faz bem!
− “Num pecisa ficá peocupada”, vovó, eu já vi muitas “vêces cenôra camufada” na minha “cumidinha”. Eu “façu di” conta “qui num” vejo “pá” mamãe “num ficá tisti”, “mais” tem “cenôra” até “nu fanguinho du” pastel!!!

4º campeonato · Fantasia

IDADE DA INOCÊNCIA

Com apenas três aninhos, a netinha pergunta:

− Vovó, quantos anos você tem?

− 62...

− Nossa! É muito caro, né?

4º campeonato · Fantasia

PROBLEMA RESOLVIDO!!!

− Florzinha, essas embalagens iguais de shampoo e creme me deixam doida! Sem óculos, não consigo saber qual é uma e qual é outra?!

− “Simpes”, vovó!!! “Vamu gudá” um “adessivo” bem “gandão nu queminho”, aí você “sábi qui” ele é “pá usá purúltimu”!!!

− É mesmo!!!

4º campeonato · Fantasia

SECRETARIANDO...

− Vovó, “fáiz favor”, vai marcando aí “u tamanhu dus quadrinhu pá” mim?!
− Tô marcando, pode falar...
− Cada um tem 5 “centimo di” assim, ó”!
− Sim, 5 centímetros de comprimento.
− Isso... Agora, “marcaí”, “fáiz favor”, tem 2 “centimo di altimento”...

(kkkkkkkkkkkkk...)

4º campeonato · Fantasia

DIALÉTICA SOBRE A VACA (ou sobre o leite)...

− Vovó, “u” danoninho é “feitu di leitinhu qui” sai da vaca, né?
− É isso.
− “Pur” isso eu “num póssu comê”, né?!
− Por enquanto, não. Mas, quem sabe, um dia você poderá comer!!!
...
...
− Vovó, você “sábi qui pá tirá u leitinhu” é só “ispemê us caninhu” da vaca?!

4º campeonato · Fantasia

DEU ERRADO...

− Vovó, eu “tenhu qui ti contá” uma coisa “qui” você “num vai gostá, qui” você “pódi ficá muuuuitu bava”, “mais” foi sem “querê”!!! Eu fui “pegá” a minha “tuália nu” varal , “mais” eu puxei “cum” tanta força, “cum” tanta força “qui u pendedor vuô longi”... “i quebô”...

...

(mas eu fiquei tão “bava”!!! )

4º campeonato · Terror

RENDIÇÃO

Em meio ao caos dos bombardeios, dor profunda, num gesto de proteção, a mãe aperta o filho contra o peito. Se pudesse, ela o devolveria à mansidão do útero. Sabe que a delicada membrana não o livraria da morte, mas vendaria aqueles olhinhos para os horrores da guerra...

4º campeonato · Terror

Valentia minada...

A cruz na beira da estrada era o terror no caminho da escola. Pesadelo dos dias e das noites. Sensações estranhas povoavam o pensamento e o corpo ao passar por ela. Sinistro. Acertara com os amigos que eles a arrancariam e tudo seria resolvido. E quem teve coragem?! Até hoje a cruz continua lá, no mesmo lugar...

4º campeonato · Humor

AVÓ JURÁSSICA

- Isis, que barulho assustador é esse?
- Fica calma, é só “u rugidu du minhôco”, vovó! Esse “filmin” é da era “rozozóica”! “Us bichu era muuuuito gandis”, vem vê!
- Era “rozozóica”?!
- É, vovó... “Achu qui” foi “antis di” você “nascê”!

4º campeonato · Pico

DELEITE

Queria ir ao Maracanã. Sonho alimentado por décadas. Naquele dia, mesmo sem ter jogo, ele estava lá. No alto, do último degrau, olhava tudo. Maravilhado. Exausto com a escalada intensa, sentou-se para recobrar o fôlego. Silêncio absoluto no estádio vazio. Fechou os olhos e imaginou o barulho da invasão corintiana. Arrepio. Faltava apenas uma coisa. Ficou de pé e gritou a plenos pulmões: “JUIZ LADRÃO!!!”. Pronto...

4º campeonato · Policial

Estado de graça...

O olhar aflitivo da criança, do lado de lá da cerca farpada da alfândega, cortava o sossego do agente. Estava ali havia horas, no colo do pai, enfrentando o frio da noite. Olhos mendicantes não por comida, mas por ajuda. Sem palavra, eles gritavam no silêncio: “você pode ser o meu herói!”... No cochilo dos policiais, o SUPERMAN despertou. E foi o sorriso de gratidão mais bonito que o agente já recebeu...

4º campeonato · Ontem

Alento

Foi num repente. Vindo de tão longe, trouxe, junto com um sorriso que fazia covinhas nas bochechas, o primeiro beijo. Mostrou mundos encantados, novos horizontes e sonhos. E, assim como veio, partiu. Era preciso, tinha de ser. Ou não ser. Até hoje, quando o pensamento desamassa o passado, o arrepio corre pelo corpo.

4º campeonato · Ontem

Nostalgia

Hoje, ali é uma loja. Antigamente, era o salão de baile da vila. Tempo dos belos carnavais, das grandes orquestras, dos ingênuos adereços. Basta fechar os olhos e ouvir o som da saudade:

“Dorme, filhinho do meu coração,
Pega a mamadeira e entra no cordão,
Eu tenho uma irmã que se chama Ana,
De tanto piscar o olho já ficou sem a pestana...”

4º campeonato · Ontem

Se...

Se tivesse esse entendimento lá atrás, naquele tempo; se tivesse desafiado o temor dos passos no assoalho, as dores da noite e os gritos abafados, a maldita demência não a teria transformado no fantasma que é hoje.

4º campeonato · Sinais

SECA-PIMENTEIRA

Na parede da serralheria, Seu Alípio ostentava a velha ferradura. Um troféu. Dizia que era presente do pai e que o pai recebera do avô. Herança que vinha desde os tempos do Império, e que lhe coube na última partilha. Crédulo, era sinal de proteção, amuleto de espantar o azar. Ironia da vida. Um raio o pegou na noite de tempestade.

4º campeonato · Sinais

Ingenuidade...

De pequena, vi aquilo só uma vez. De repente, o dia virou noite. A passarada silenciou, as galinhas se recolheram, e a avó, apavorada, por repetidas vezes fazia o sinal da cruz. Dizia ser o final dos tempos. Coitada! Ainda bem que ela se foi sem saber que aquele treco tinha o nome esquisito de ECLIPSE! Teria endoidado...

4º campeonato · Alunos

Escola da vida

Durante toda a vida, apontava, uma a uma, cada cicatriz cravada na pele, recontando as mais temerárias diabruras da infância. Moleque arteiro! Terror dos professores, desassossego das mães da vila, amado pelos coleguinhas. Sempre arrastava o bando. Hoje, sem nem mesmo ser capaz de distinguir o dia da noite, alisa aquelas marcas que nada mais lhe dizem...

4º campeonato · Alunos

Por onde anda a imaginação...

Quando a professora colocava aquele globo azul na mesa, minha cabeça girava feito pião. O Japão, eu sabia que ficava do outro lado do mundo, e, talvez por isso, quando brincava de cavar pocinho, eu sonhava chegar lá. Agora, os danados dos trópicos me apavoravam! Credo em cruz! Uma hora um arco bitelo daqueles ia despencar em cima da gente!!!

4º campeonato · Selo

No fecho da memória

Feito batuta de maestro, bastava apenas o riscado da sanfona e o som explodia. Quando a voz do marcador da quadrilha ecoava, os matutos viravam cavalheiros. E dançavam, conduziam, sonhavam. Bonito era ver a coroação das damas! As cinturas enlaçadas pelos braços dos amados uniam quereres, selavam promessas. E como sorriam! A rudeza da vida não lhes tirou o encantamento...

4º campeonato · Rasgar

LOUCURA

No silêncio da noite, apenas o som da rasgadura do lençol. A tira volteada no pescoço, num único golpe, foi fortemente cingida. A parceira nem gritou, apenas estremeceu. A sororoca soou fraca. Estava frio, esticou a coberta sobre ela. Falava muito, entorpecia. Agora, os dias seguiriam em paz...

4º campeonato · Rasgar

Desfantasiando

Enquanto os ferimentos eram suturados, a dor mais aguda − aquela que a anestesia não alcança − cuidou de dilacerar a última ilusão. De coração despedaçado, agarrava-se ao último fiapo de dignidade. Nunca houve afeição, nunca foi amor...

4º campeonato · Rasgar

Sem saída...

Quando viu a seringa que a enfermeira empunhava vindo em sua direção, saiu numa desembestada carreira. Varou a cerca de arame farpado e rasgou, de cima a baixo, a camisa nova. Ao longe, uma voz repetia: “Não dói nada, é só uma picadinha na nádega!”. O tiro saiu pela culatra. Livrou-se da injeção, mas a cinta marcou-lhe a bunda.

Textos publicados pelo autor nos comentários do @3serpentes durante os campeonatos de microcontos.

Leia os outros 14.553 microcontos

Escolha um campeonato e uma palavra, e leia um por um, até o último.