5º campeonato · Cavalo
No contrapé
Sol praiano, dia azul, charretes concorridas no passeio público. E s p e r a. Verdes.
Raios vermelhos, areia árida, cavalo esmorecido em chão turístico.
5º campeonato · Cavalo
Sol praiano, dia azul, charretes concorridas no passeio público. E s p e r a. Verdes.
Raios vermelhos, areia árida, cavalo esmorecido em chão turístico.
5º campeonato · Cavalo
Em algum lugar, Tora sabia. Seu destino era carregar aquela mulher. O dela? Lidar com sua envergadura.
4º campeonato · Abóbada
E o mosaico de sons da floresta invade, transborda e leva ouvido externo a equalizar batalha com homem interno.
4º campeonato · Abóbada
Numa noite verde, fragmentados por vozes coletivas, corpos originários dançam curvados, silenciados, girando na roda viva. E num piscar ligeiro brotam inteiros.
4º campeonato · Abóbada
Quando você desistir de interpretar vai perceber. Olhar não é ver. Escutar não é ouvir. Consegue deixar as velharias de lado e se curvar?
Indagou o velho professor yaqui, de Sonora.
Quando os fragmentos da floresta bateram forte no peito branco um portal se abriu.
4º campeonato · Abóbada
Conta as horas fora do tempo no encontro das águas com a lama. E se perde em fragmentos sonoros. Desliza. Dança. Uiva. Mais um passo e é sugada para dentro da arte musiva.
4º campeonato · Bilhete
Vou ali, já volto.
Dizia o bilhete ao coveiro.
4º campeonato · Bilhete
Ele me serviu três fatias de bolo, disse que perdoava tudo. Chamou um uber e me entregou um bilhete bem dobrado. Foram 3 suspiros:
cianeto no bolo.
4º campeonato · Bilhete
Ele sempre disse que nos deixaria bens. Quando morreu nem seguro de vida tinha. Ao destralhar seu quarto, encontramos um pedaço de papel com três dezenas e um nome: D. Aparecida. No último 12 de outubro compramos um bilhete com aquela milhar. Na lotérica, o atendente nos reconheceu, registrou os pêsames e disse: ele me deixou um pedido. Esse é o telefone da doutora Aparecida. Ela será a tutora de vocês.
4º campeonato · Sinais
Alerta: pessoas em construção.
4º campeonato · Sinais
Luzes acesas. Antenas. E ela acelerada. E ela acelerando. Mas tenta testemunhar sem interpretar. Passos largos. Olhar no caminho. Árvores a distraem. E antes de anoitecer o maior deles está no olhar terreno: pare.
4º campeonato · Sinais
Já é alta madrugada. Sirene me tira da rota. Desvio. Retorno. Entra a trilha. Amarelo. Elo ou duelo do amor? Atenção. Verde. Será que me vê? Sigo. Vermelho. Verme, ver, ver-melhor. Paro.
4º campeonato · Sinais
Recatadas e do lar, atendiam ao apito das 6 e se rendiam aos desmandos do dono da fábrica.
4º campeonato · Sinais
Abro a planilha. Faço cara de paisagem e pego a rota de fuga pela tecla M. Pisco pisco pis-co. Agora sou a cabocla à beira rio. A pedra girando na correnteza. O próprio rio. Cu-co. Cu-co! Dispara o sinal sonoro do smartphone. Desperto do presenteísmo.
4º campeonato · Sinais
Cuidado: animais na pista.
4º campeonato · Alunos
Era a primeira aula do terceiro ano. Meus olhos assustados só pensavam o que pensariam daquele coqueiro que minha mãe criou sobre minha cabeça cheia de cabelo. Nenhum aluno ia querer se sentar ao meu lado. Imaginava. Até que chega a nova professora. A mais amorosa de todos os tempos. E ela sorri pra mim. Sorri, sorri, até começar uma crise de choro. Com coqueiro e tudo eu era “a cópia” da falecida sobrinha dela. Socorro!
4º campeonato · Alunos
Por anos desejou escrever uma carta a ele. Ele. Hoje saiu um rascunho:
C, você despertou em mim a ira, o desespero e me jogou na estrada sem piedade. Botou-me em roupas ridículas e bagunçou todas as minhas certezas. Mas o que digo?
A mudez causada por aquele mestre ardiloso que vem colecionando alunos no entretempo da vida e da morte sempre a detinha.
E você? O que escreveria para o câncer de seu pai?
4º campeonato · Alunos
Um avatar solto na tela. O muro preto e o corpo branco. Mas o que digo? O muro branco e o buraco profundo do corpo solto no mundo. Ocupada demais, leva seu rosto para outras paragens e nos deixa algo a ser apreciado agora: sua ausência. On-off, Maria é aluna faltosa. Mas cascavel e seu guizo, fazendo trajetos para além curso, marcam presença. Seu além corpo fica na memória, gruda no silêncio cheio de sotaque e histórias.
4º campeonato · Alunos
O que nenhuma aluna sabia é que a faltosa da vez só era livre, leve e solta porque já tinha lecionado por mais de 45 anos e, para não enlouquecer ou se jogar num sofá durante a aposentadoria, decidiu se inscrever em cursos de escrita criativa. E agora, aos 70 anos, ela era a cascavel mais venenosa de todos os tempos. Fluída com seu guizo de amuleto, só fazia o que desejava.
4º campeonato · Alunos
Dos dez alunos, ela foi a número nove.
- Nove é cobra!, gritou Crispim.
- É burra mesmo, emendou João.
- No alfabeto Hebraico as letras também representam números. O 9 equivale à letra "Teith", que significa lama e serpente. Ela tem o formato de um recipiente com uma aba invertida que colhe a luz do mundo infinito porque tem uma abertura para o alto.
- Faz sentido, professor. Tô sempre na lama. Disparou Madá.
4º campeonato · Selo
Ele se debulhou sobre o papel. Secou a vergonha. Selou o medo. Engavetou a carta. Daquele dia em diante passou a se chamar Divina.
4º campeonato · Selo
Soterrado em memórias, formatado por máquinas de desfazer gente, Sinuê tinha as mãos calejadas de quem o selou. Todas as tentativas de sê-lo eram destinadas ao velho.
Textos publicados pelo autor nos comentários do @3serpentes durante os campeonatos de microcontos.
Escolha um campeonato e uma palavra, e leia um por um, até o último.