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Microconto

Campeonatos de microcontos · Autores

@josecbrandao

79 microcontos nos campeonatos 11º, 5º e 4º.

11º campeonato 27

11º campeonato · Diálogo

DIÁLOGO DE SURDOS

Meu pai costumava contar este diálogo. Dois amigos se encontram:
– Vais pescar?
– Vou pescar.
– Ah, pensava que ias pescar.
Costumava repetir. Vai que o ouvinte era surdo (ou não entendia a piada):
– Vais pescar?
– Vou pescar.
– Ah, pensava que ias pescar.

11º campeonato · Diálogo

A VÓ DO MENINO

– Trabalho à noite, deixo o meu filho em casa. Ele sente a presença da vó. Tem medo.
– Mas ele conheceu a vó?
– Ela morreu há vinte anos; ele tem onze.
– Então é porque fica sozinho naquele casarão?
– A vó fica com ele. Ela nunca iria sair da sua casa. E ele sabe que ela está lá!

11º campeonato · Fotografia

CONFIDÊNCIA

Mariana é apenas uma fotografia na parede. Mas como dói!

11º campeonato · Fotografia

FOTOGRAFIA ANTIGA

O meu avô na foto, a minha avó, as minhas tias orgulhosas do nada que têm. O meu pai, a minha mãe olham de lado como quem não se importa. Os meus irmãos sorriem e se despedem. Eu ainda não nasci.

11º campeonato · Bolso

A MORTA RELUTANTE

Apalpou os bolsos do vestido, achou o pito, remexeu o fumo, bateu o isqueiro. Tudo muito meticulosamente. E chupou, chupou fundo. Morto não pita? Ela se ri: Não pitava!

11º campeonato · Bolso

A MENDIGA

Ela me estendeu a mão, me olhou com uma lágrima escorrendo na cara suja.
Eu enfiei a mão no bolso, não encontrei nenhum dinheiro. Ela não se importou, segurou a minha mão e disse:
– Estou tão sozinha como se fosse morrer.

11º campeonato · Bolso

COM A MORTE NO BOLSO

O que é a palavra favela para você? – Família.
O que é a palavra polícia? – Medo.
A palavra negro? – Irmão.
A palavra fome? – Dor.
A palavra amor? – Mulher.
A palavra criança? – Filho.
A palavra Deus? – Salvação.
A palavra governo? – Nada.
A palavra morte? – Eu.

11º campeonato · Banda

DUAS BANDAS

Sempre moramos em Dois Córregos, mas, quando eu era criança, mudamos para Igaraçu do Tietê. Um amigo, orgulhoso da banda sinfônica da cidade, perguntou a meu pai:
- Tem banda em Igaraçu?
- Tem duas - respondeu meu pai. - Tem a banda de cá e a banda de lá.

11º campeonato · Ficção

FICÇÃO

A vida é uma ficção. Nem a morte me salva. Quem me garante que a ficção acabou? Quem me sonha, sonha duas vezes o mesmo sonho? Estou vazio de mim.

11º campeonato · Ficção

SER OU NÃO SER

Ser ou não ser, eis a questão. Questão ou ficção? Nem somos atores na ficção da vida, mas meros coadjuvantes.

11º campeonato · Ficção

A FICÇÃO DA VIDA

A poesia é ficção, madame. Viver é a arte de dar a outra face.

11º campeonato · Cobre

O EMPAREDADO

Eu sempre calado
entre estranhos dobres.
Eis-me limitado
por estanho e cobre.
Eis-me emparedado
no meu quarto pobre.
Ainda mais me calo,
por mais que me dobres.
Sempre o mesmo avaro,
por mais que me cobres.

11º campeonato · Cobre

O NEVOEIRO

O nevoeiro cobre as casas, o nevoeiro cobre os bois e as vacas, até o mugido das vacas e dos bezerros.
O nevoeiro cobre as coisas: árvores, postes, estrada, bicicleta do menino, fios, terra, pedras e dor.
A vida vai devagar, a vida quase nem vai, parada no nevoeiro, a vida suspensa no ar.

11º campeonato · Cobre

BLOW-UP

Depois daquele beijo, ficou com gosto de cobre na boca.

11º campeonato · Melancia

CAMPO DE NÉVOA

Apenas as enxadas se erguem e abaixam no campo coberto de névoa. O orvalho cai suave sobre as melancias abertas. Eu suspiro baixinho olhando as flores no alto das árvores. O vento desenha arabescos no capinzal. Florinhas de capim crescem à beira do riacho.

11º campeonato · Ano

PANDEMIA

Depois daquele ano, nada mais tinha importância.

11º campeonato · Ano

A VÓ

– Trabalho à noite, deixo o meu filho em casa. Ele sente a presença da vó. Tem medo. Ela era brava.
– Mas ele conheceu a vó?
– Ela morreu há vinte anos; ele tem onze.
– Então é porque fica sozinho naquele casarão?
– A vó fica com ele. Ela nunca iria sair da sua casa. E ele sabe que ela está lá!

11º campeonato · Ano

ANIVERSÁRIO

¬– Faz um ano o Zezinho morreu, os sapatinhos dele ainda ao pé da cama louquinhos para sair correndo.

11º campeonato · Toa

A FACA NO OLHO

Faz dois dias que H. está no hospital com uma faca enterrada no olho.
Os médicos não sabem como tirar. Não sei como H. aguenta, nem como é que ele está vivo. Não é à toa que a gente sempre achou que H. era o tal.

11º campeonato · Toa

O GOVERNADOR

O governador é um filho da puta, disse o padre, e como todo filho da puta vai fazer muitas falcatruas para satisfazer suas ambições. Não é à toa que todos o odeiem e temam. Um dia vai ser ele quem vai morrer e ninguém vai saber nem onde param as suas ossadas.

11º campeonato · Toa

MEDICINA

Napoleão invadiu a Rússia com 600 mil homens, voltou derrotado com apenas 30 mil.
Podia ser um gênio da guerra, mas não entendia nada de medicina e deixou seus homens morrerem às carradas de tifo.
Não é à toa que Napoleão hoje é um louco de hospício.

11º campeonato · Umbigo

TRÉGUA

M. carrega no pescoço uma tabuleta onde se lê: “Aluga-se Árvore do Bem e do Mal”.
Todos a olham cobiçosos, mas se afastam com medo da cabeça da cobra verde que se mostra entre os seios, às vezes no umbigo, outras na floresta entre as coxas, ou na maçã vermelha entre os dentes.

11º campeonato · Umbigo

A BANANEIRA

As palmas da bananeira abanam a tarde. As bananas amarelas como ouro.
A bananeira é a musa do paraíso e canta. Embala o umbigo do mundo.

11º campeonato · Umbigo

A POESIA?

A poesia é inútil como um brinco no umbigo do ornitorrinco.

11º campeonato · Moeda

A FLAUTA DESAFINADA

O menino tocava a sua flauta desafinada com uma lágrima embaçando cada olho. Na canequinha junto a seus pés descalços, três minguadas moedas.

11º campeonato · Moeda

A MOEDA

M. L. caminhava distraído por uma rua, quando encontrou uma moeda. Pena: estava grudada no cimento. Era uma moeda rara, de valor. Uns cem metros à frente encontrou um martelo e um formão. Voltou sobre seus próprios pés, para recuperar a moeda. Mas onde estava ela? Não a encontrou mais.

11º campeonato · Moeda

UM TONTO

Orestinho, antigo funcionário da Prefeitura, ganhava um conto de réis para capinar o mato entre os paralelepípedos das ruas da cidade. Quanto ganhava? Respondia:
– Um tonto!
Já velhinho, quando ninguém mais sabia o que era um conto de réis, ainda proclamava:
– Um tonto!

5º campeonato 35

5º campeonato · Cavalo

Amanhecer

Todos os dia um cavalo, satisfeito da vida, pasta as flores do meu jardim.

5º campeonato · Cavalo

Senador

– Calígula nomeou senador o seu cavalo Incitatus – disse o professor.
– Quer dizer que qualquer animal pode ser senador? – perguntou um aluno.
– Não, só os que se prestarem a ser cavalos do presidente – respondeu o professor.

5º campeonato · Cavalo

Seu cavalo! disse a mulher ao marido., que respondeu com um coice.

5º campeonato · Bolinha

A Terra é um mármore azul ou uma bolinha de papel atirada ao espaço com um piparote, disse o menino.

5º campeonato · Bolinha

GEOFAGIA

Quando eu era menino, faz muito tempo, eu fazia bolinhas de barro e punha para secar ao sol, na beira do barranco. Era o chocolate dos meninos pobres, uma delícia!

5º campeonato · Bolinha

BOLINHA DE SABÃO

Pensava que a vida era uma bolinha de sabão. Descobriu que era,

5º campeonato · Palhaço

NARIZ DE PALHAÇO

Todos temos nariz de palhaço – quando queremos tirá-lo está grudado na cara.

5º campeonato · Palhaço

O ESPELHO

– Eu tenho nariz de palhaço? – disse o palhaço antes de entrar no espelho à procura de si mesmo.

5º campeonato · Marca

NENHUMA MARCA

Quando acordou, viu uma corda pendurada do teto e um banquinho como no sonho. Mas nenhum cadáver enforcado. Até chegou a acariciar o pescoço, olhando-se ao espelho: nenhuma marca de enforcamento.

5º campeonato · Marca

A MÃO

Caída no chão, M. gritava que a mão a tinha estrangulado. Gritava como louca, descontrolada. No pescoço estavam as marcas de cinco dedos que se teriam enterrado na carne. A blusa branca estava manchada de sangue.
Em cima da mesa estava a mão esfolada de um cadáver.

5º campeonato · Baralho

O BARALHO DA VIDA E DA MORTE

Embaralho o baralho da vida e da morte, as cartas marcadas para que eu sempre perca.

5º campeonato · Baralho

O JOGO

Onde o baralho? Quem dá as cartas?
Somos todos péssimos perdedores.
O galo dança no alto do campanário.

5º campeonato · Baralho

Aposta

O pai do Gu apostou a mãe num jogo de baralho, perdeu e foi preso para deixar de ser besta.

5º campeonato · Cebola

O SENTIDO DA VIDA

Reflito sobre o bulbo da velha cebola: qual é o sentido da vida? O cheiro da cebola justifica as minhas lágrimas.

5º campeonato · Cebola

A CEBOLA QUASE ME MATOU

Eu estudava numa escola onde serviam refeições aos alunos e era obrigado a comer tudo que vinha no prato. Uma vez comi uma cebola, enorme, suculenta, mas eu sou alérgico a cebolas e quase vomitei as tripas. Pensei que ia morrer.

5º campeonato · Cebola

CHEIRO DE CEBOLA

Era tanto o cheiro de cebola na casa que todos se retiraram do velório de Eugênia.

5º campeonato · Nota

Máquina de escrever

O padre estava com a paciência esgotada. Eu não distinguia uma nota da outra. Era um caso perdido. Mandou que me levantasse do órgão, que eu tentava tocar, e me deu uma velha máquina de escrever: “Vai, vai aprender datilografia!” E assim nasceu um escritor.

5º campeonato · Nota

Melodia

No princípio da criação já havia uma nota ecoando – e essa nota é uma melodia completa. No fim da criação, continua-se a ouvir a melodia.

5º campeonato · Nota

A última nota

Escreveu sua última nota. Depois não se soube mais dele.

5º campeonato · Desejo

Saudades

Foram as saudades da minha infância que me despertaram o desejo de escrever poesia.

5º campeonato · Desejo

SEIS LETRAS

Desejo.

5º campeonato · Desejo

AS DUAS LIRAS

O poeta deve ter duas liras: uma para o desejo, outra para o delírio.

5º campeonato · Ninguém

NOITE ALTA

Ninguém me ouve na noite alta, ninguém. A minha desolação é só minha, estou liquidado.

5º campeonato · Ninguém

A LUZ NO FIM DO TÚNEL

O último a sair apague a luz no fim do túnel. Ninguém saiu.

5º campeonato · Ninguém

ZÉ NINGUÉM

Onde quer que esteja, todos o reconhecem e todos o negam. É o Zé Ninguém.

5º campeonato · Vazio

A MINDINHA

Velhinha, de apelido Mindinha. Passeia na rodoviária, convida esse e aquele – jantar, tomar um café, dormir:
– A minha casa é enorme, cheia de quartos vazios.
Sente-se muito sozinha. Tem um vazio lá dentro dela. Não se acostuma com a solidão, explica.

5º campeonato · Vazio

O FIM DO MUNDO

O menino pela décima vez, talvez, abriu a porta e olhou o escuro da noite, o vazio dolorido, o silêncio inapelável. Voltou-se desesperado para o pai:
– Pai, o mundo acabou?

5º campeonato · Vazio

Teto

Luca sente no vazio do estômago, nos olhos vazios, nos ossos, a fome, a angústia da fome de qualquer impossível humanidade.
Luca se agarra à cama olhando o teto frio, olhando a sua solidão sem remédio.
Luca pede a Deus que lhe devolva as palavras, mas o que Luca faria com as malditas palavras?

5º campeonato · Estrela

Dont Stop Me Now, Queen, 1978

John queria se divertir de verdade, nunca se sentira mais vivo. Queria virar o mundo no avesso, estava flutuando em êxtase. Era uma estrela saltando pelo céu, era um tigre desafiando as leis da gravidade. Nada podia pará-lo.

5º campeonato · Pétala

A PÉTALA E A BORBOLETA

A borboleta é uma pétala no ar, depois a pétala vira borboleta e pousa no sino que vai tocar.

5º campeonato · Pétala

OFÉLIA

Pétalas pelo caminho, depois alguns pingos de sangue, e enfim mais nada.

5º campeonato · Pétala

A PRANCHA

Olha a prancha de surfe pendurada na parede, desfolha uma flor amarela, pétala por pétala, e desabafa:
– Gorda, feia e velha, nem o mar me quer.

5º campeonato · Corpo

Farol

O corpo voou do alto do farol angustiado com os gritos das gaivotas. As pedras brancas ficaram manchadas de sangue, que as gaivotas sobrevoavam. As gaivotas que não mais gritavam.

5º campeonato · Corpo

O sonho

A minha mãe sempre sonhava que um corpo se desprendia do seu e pairava sobre a cama. Tinha pavor da morte, de ser enterrada viva. Tudo por causa do seu outro eu que nos seus sonhos pairava sobre ela. Tinha certeza que acordaria no caixão, onde não caberiam ela e a outra.

5º campeonato · Corpo

Eco

Eco era uma ninfa tão tagarela que foi condenada a só repetir o que os outros falavam. Ela apaixonou-se pela beleza de Narciso, mas ele a desprezou. De desgosto o seu corpo definhou, só sobraram os ossos, que por sua vez se transformaram em rochedos e enfim nada restou dela senão a voz.

4º campeonato 17

4º campeonato · Bilhete

O bilhete - Mãe, estou grávida e vou-me matar antes que o pai chegue. O filho é dele.

4º campeonato · Fantasia

O FIM DO MUNDO

Tão simples assim o fim do mundo. Anne de Wince ergueu-se de sua cadeira, sentiu a brisa da madrugada através da pele fina, transparente. Tudo se acabou, disse, e, abrindo as asas, saiu voando celeremente rumo ao último vestígio de luz no universo.

4º campeonato · Fantasia

MULHER PÁSSARO

Cynara olhou-se no espelho do lavatório e viu-se, em lugar de uma mulher, um pássaro. De repente, voou.

4º campeonato · Fantasia

O CARRINHO DE MÃO

O menino tinha um carrinho de mão como aquele do poema de William Carlos Willians.
De manhãzinha ele enchia de pedaços de madeira o seu carrinho e partia todo orgulhoso para construir o mundo.

4º campeonato · Terror

Na primeira noite sentiu uma picada num dedo do pé. Vão tirar todo o meu sangue, disse.
Na segunda noite sentiu uma picada num dedo da mão. De manhã a mão estava quase transparente.
Na terceira noite sentiu uma picada no pescoço. De manhã não se levantou: estava sem nenhuma gota de sangue no corpo.

4º campeonato · Humor

DEPOIS DO ENTERRO

Depois do enterro, um pergunta para o outro:
"Sabe o que o Mané estaria fazendo se estivesse vivo?"
"O quê?"
"Arranhando o caixão."

4º campeonato · Pico

Um bom conto é um pico na veia. Relou, tá pego.

4º campeonato · Policial

O policial me mandou levantar as mãos. Levantei. Mandou mostrar os documentos. Fiquei em dúvida: posso abaixar para pegar? Amanhã é o meu enterro.

4º campeonato · Ontem

Ontem enterrei meu filho. O hoje nunca mais chega.

4º campeonato · Sinais

Quem avisa, amigo é

Quem avisa, amigo é. Mesmo que avise com sinais incompreensíveis. Azar o seu se você não entendeu.

4º campeonato · Sinais

OS SINAIS

Não entendeu os sinais que ela fazia, fingiu que não tinha visto. Resultado: foi atropelado pelo caminhão que dava ré e a mulher gesticulava para avisar.

4º campeonato · Sinais

Alumínio

Um homem sem identidade, que não se comunica em nenhuma língua, nem em linguagem de sinais, foi preso quando invadia uma casa para roubar esquadrias de alumínio das janelas, para vender. Mas se não se comunica, como iria vender as esquadrias? E quem disse que iria vender? O homem é um enigma.

4º campeonato · Sinais

Não entendeu os sinais, morreu atropelado.

4º campeonato · Alunos

Disse que queria ser um eterno aluno na vida, um aluno daqueles que nunca aprendem nada, para nunca sair da escola. Quando menos esperava, tomou um tiro no meio da testa.

4º campeonato · Selo

O SÉTIMO SELO

Quando se abriu o sétimo selo, fez-se tanto silêncio que os mortos levantaram-se dos túmulos para dar lugar aos vivos.

4º campeonato · Rasgar

O PRESENTE DA TIA VELHA

Nunca aceitou que estivesse para morrer. “Não me olhe com esses olhos de coveiro triste”, me diz. “Não me olhe de jeito nenhum”, completa.
Não se ofendeu porque rasguei uma foto que lhe dei e lhe pedi de volta, mas me recriminou: “Ninguém rasga o tempo.”
Me ofereceu, por fim, um pergaminho com algumas palavras raspadas, talvez uma história, ilegível; fez-me jurar que o guardaria: “É feito de pele humana.”

4º campeonato · Rasgar

Rasgou a fantasia e a partir daí ninguém foi tão autêntico quanto ele.

Textos publicados pelo autor nos comentários do @3serpentes durante os campeonatos de microcontos.

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