5º campeonato · Vazio
Reminiscência Escolar.
Quanta nostalgia me trouxe a lembrança dos meus primeiros anos escolares.
Que tempos felizes eram aqueles. Suellen, a CDF, trazia bala para a professora Kellen; Felipe chegava na sala de aula falando de super-heróis em quadrinhos, anime, mangá e video-game; Rogério namorava a Brenda da outra sala, e vivia com a cabeça na carteira sem fazer a lição; Lúcia saía da sala sem pedir pro professor, e fazia rolo com a diretora Maria; Carmem, sentava no canto da sala junto com Susana e Marieta, copiava os conteúdos da aula, falava alto, e estava sempre conversando e andando com elas no recreio; Marieta e Susana, por sua vez, eram irmãs gêmeas adotadas, e sempre faziam a lição (ou não faziam) juntas com Carmem; Paulo, no outro canto da sala, jogava bolinhas e aviõezinhos de papel; no fundo, Douglas, o valentão e brigão da escola, vivia machucado; eu sentava no fundão, perto de Douglas, andava de skate e gostava das conversas de Rogério e Felipe.
O tempo passou, e hoje quase não vejo ninguém...
Ontem, encontrei Rogério, que trabalha perto de casa. E sempre que trombo ele, nos vêm as reminiscências das antigas:
- “Eai Rogério, quanto tempo hein!? Aquelas épocas não voltam mais”. - Disse eu.
- “Pois é Ronaldo... Que saudade da Brendinha...”
Naquela mesma época, Brenda havia morrido de câncer. Suellen também faleceu há dois anos atrás, num acidente de carro. E hoje, Rogério lembrava namoricos comigo. Felipe não gosta mais de video-game, nem de anime, nem de mangá, e mora numa outra cidade, casou, e tem uma perna amputada por causa de acidente industrial. Carmem, Susana e Marieta, nunca mais vi, nem ouvi falar, mas, senão me engano, vi Susana pela internet, numa foto pelas redes sociais. Do pessoal da bagunça, Paulo se mudou e Douglas foi preso.
Hoje, a angústia me toma, o vazio que nos toma, seja pela pressão do capitalismo no trabalho (meu patrão esse mês não me pagou...), seja pela dor da perda: a falta de camaradas, de encontros e de meus pais e parentes já falecidos.
“Nada consigo fazer,
Quando a saudade aperta... [...]
Um vazio se faz em meu peito,
E de fato eu sinto em meu peito um vazio” (Cartola).
5º campeonato · Estrela
A estrela do underground.
Num certo dia, quando não recebia seu pagamento como professor, um ex-artista de Punk Rock, chamado Raimundo Lafom, participou de uma greve dos professores para reivindicar seu salário, que o Estado não pagara.
O governador amedrontou e se escondeu no Palácio dos Bandeirantes. Logo em seguida, chega a polícia que o governador chamou pra reprimir os manifestantes. Raimundo no meio da confusão é algemado e levado preso.
Raimundo chega na prisão. Passa por vários corredores, até ser colocado numa cela. Dentro da cela, tinha um rapaz negro deitado lendo um jornal, e um outro pardo e gordo, sentado na cama de colchão duro, e com os olhos fixos nele. Quando o guarda fechou a cela, este perguntou:
- “Eai Fulano. Que tu fez?”
- “Fiz uma greve e fui preso pela polícia do governo”. Disse o novato.
- “Oloko mulecote... Tu é zica do pantano memo!” Comentava o encarcerado.
- “Você é o vocalista da banda “Diabo em Mim" que foi preso protestando! Aqui está! A notícia do meu jornal conta sobre o protesto e a greve dos professores!” Se espantava o outro prisioneiro que lia deitado o jornal.
- “Sim. Sou eu. Professor Raimundo Lafom, quando veio o governador farda bombom, lancei logo em bom tom, aquela canção “Comer pão todo dia é bom!”
- “Cara, já ouvi essa letra! Você é uma estrela do movimento Punk!”
Depois de um mês, os manifestantes e colegas de Raimundo que ficavam todo dia em frente da prisão exigindo sua saída, conseguem fazer com que as autoridades soltem o preso político. Raimundo volta aos protestos. O governador sofreu o impeachment e o pagamento foi pago pelo Estado.
Um colega de Raimundo chega até ele e questiona:
- “Raimundo, por que você não se torna um Rock Star na mídia?”
No que ele respondeu numa letra de Raul Seixas:
- “Até que parece sério,
Mas é tudo armação.
O problema é muita estrela
Pra pouca constelação".
5º campeonato · Pétala
Poção de pétalas.
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Era noite de Halloween. Duas crianças, João e Maria, foram pedir “gostosuras e travessuras” na cidade. Havia uma casa, um pouco afastada da cidade, que contaram pra eles existir uma velha estranha. Eles foram até lá pedir os doces.
Chegando na casa, bateram na porta. Uma velha enrugada e com uma berruga no nariz os atendeu.
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- “Olá crianças. Vieram pedir doces?” Perguntou a velha.
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- “Sim, viemos”.
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- “Por favor entrem”.
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As crianças, inocentes, entraram. Um cheiro forte de rosas, pestilava no ar do corredor que João e Maria caminharam, atrás da velha estranha. Sentaram-se numa sala. A velha disse que ia na cozinha, pois estava cozinhando. Como ela demorou, João, curioso, foi até a cozinha, enquanto que Maria esperava no sala.
Quando João chegou na cozinha, espiou a velha, e viu ela colocando petálas de rosas de jasmim na panela. A panela erguia um clarão a cada pétala que a velha colocava. João se assustou e voltou pra perto de Maria.
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- “Maria vamos vazar daqui! A velha é uma bruxa!”
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- “O quê?... Como assim?...”
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- “Lá fora eu te explico! Vamos!”
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As crianças tentaram abrir a porta, mas estava trancada. João lembrou que a velha colocou a chave na sala, então voltou pra pegá-la. Quando chegou na sala e pegou a chave, a velha chegou: ela carregava uma garrafa com um líqüido cor de rosa. A aparência da velha estava mudada, ela possuía olhos brilhantes e a péle mais pálida e mais enrugada.
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- “Vocês não vão escapar! Receba minha poção de pétalas!”
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A velha tacou a poção em João, que esquivou, correu até o corredor, e chegando com a chave até a Maria, entregou a ela. Enquanto Maria girava a chave pra abrir a porta, a velha vinha lentamente com a poção de pétalas. João agarrou uma mesinha que tinha do lado. Na hora que a velha jogou de novo a poção, João pôs a mesinha na frente. A mesinha virou gambá.
A velha resmungou:
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- “Agora eu vou jogar em vocês! Essa poção de pétalas de rosa e jasmim só funciona em seres vivos! Vocês vão virar porcos para mim devorá-los!”
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Maria abriu a porta e João correu da casa junto com ela. Correram tanto, que quando as crianças olharam pra trás, não viram mais a casa. Havia sumido.
5º campeonato · Corpo
O Cão Frankestein.
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Um estudante do curso de Anatomia, chamado Lamartine, passeava com o seu cão, Spike, tranquiliamente numa bela tarde. Ele foi com o seu cão até a praça da cidade. Num impulso espontâneo, o cão fora da coleira atravessou a rua movimentada. Dali a pouco veio um caminhão e atropelou Spike.
Lamartine gritou:
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- “Spikeeee!!!”
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Infelizmente, o cão atropelado e ensanguentado, não resistiu no veterinário, e sucumbiu.
Lamartine, que era estudante das partes do corpo humano, resolveu pegar o corpo de seu cão, e tentar ressuscitá-lo, observando alguns testes não-suscedidos na história das ciências: ele colocou no corpo do animal morto, alguns cabos elétricos, injetando-os nas veias do bicho inanimado.
Após algumas seções, em que ligava os cabos, acoplados num gerador, que obteve mediante seu vizinho, o Junqueira, eletricista de automóveis, Lamartine conseguiu jogar os elétrons na pressão arterial do falecido Spike.
De repetente, o corpo de Spike se mexeu. Ouviu-se um:
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- “Au-au-au-au”...
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- “Spike você voltou à vida! Que incrível!”
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Spike havia ressuscitado, agora era o “Cão Frankenstein”. Os dias foram passando, e o cão não comia e nem latia, o pêlo caía e a carne apodrecia, mas ficava de pé, e para Lamartine aquilo era um milagre. Um cheirão de defundo ficava na casa de Lamartine. Os vizinhos reclamavam. O veterinário encontrou Lamartine passeando com o cachorro.
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- “Olá Lamartine, como vai? Esse aí não é o Spike que faleceu?”
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- “É o Spike, consegui ressuscitá-lo!”
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- “Você é louco? Olha pra ele!”
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Lamartine olhou: o cão morto-vivo estava estribujado no chão, os membros do corpo estavam pendurados ao couro apodrecido. Lamartine pegou o cão Frankestein no colo e correu para casa, deixando o veterinário falando sozinho.
Quando Lamartine pôs os cabos e ligou o gerador, uma grande voltagem de mais de 220V torrou o corpo do animal. Spike derreteu e Lamartine chorou aos gritos:
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- “Nãããoooo... Por que?...”
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- “Por mais que a ciência descubra os segredos da anima-corporal, chamais vai superar a natureza dos corpos”. Dizia o veterinário, que aparecia na janela do quarto experimental de Lamarine.