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Microconto

Campeonatos de microcontos · Autores

@derepentegiselle

6 microcontos no 4º campeonato.

4º campeonato · Pico

No pico da frustração, atropelada no pico do fuso horário. Me atropelei no pico das atribulações. E aqui no pico da ansiedade rezando que dê certo. E no meu pico da humildade envio meu continho de hoje.

4º campeonato · Policial

POLICIAL!
O que o senhor faz?
Protejo as pessoas!
E quem protege o Senhor das pessoas?
A SORTE!
De onde vem?
Das ruas!
Como a reconhece?
Dos atos!
De quem?
Da Consciência suprema.
Onde ela mora?
No CORAÇÃO.
Tem dono?
Deus!

4º campeonato · Ontem

De ontem

No silêncio minhas memórias.
E nelas surge um sorriso.
Adolescente rebelde, cheia de razão e insensatez.
Destemida e temerosa.
Imagem épica: calça laranja, miniblusa verde limão e tênis All star.
Com um leve detalhe de um corte de cabelo estilo sei lá o quê.
Vibrante.
Vem aquela menina que desejava o mundo e não tinha medo de nada.
O céu era literalmente o limite.
E como olhar para mulher que sou hoje?
Resgate desta alma intensa e cheia de coragem.
Magia e encanto.
Neste reencontro de sonhos,
Me reconheço e sigo.

4º campeonato · Alunos

Burburinho

Subo as escadas, lentamente e na cadência da respiração.
Busco em mim um sentido,
Diante do mundo caótico.
Venho a questionar,
A quem inspiro?
Escuto risos, um barulho de vozes alegres, velha conhecida de meus ouvidos alertas.
Me falta um respiro,
Chego na porta,
Levanto os olhos, seguro firme as pernas cansadas e entro naquele espaço cheio de sons, risos e curiosidade.
Numa fração de segundos, tudo muda, o cansaço se transforma em desafio.
Ali estão eles, sedentos.
Aqui estou eu,
Transbordante.

4º campeonato · Selo

Fecho os olhos,
Não quero ver,
Expresso no meu sentir a dor.
Não pode ser você.
Um toque, a pele , a tua marca.
Registro de uma cicatriz da infância.
Como timbre expresso na pele.
Me entrego a dor,
Uma lágrima cai.
O ciclo encerra.

4º campeonato · Rasgar

Gavetas vazias

Sentada no chão, olhei para as paredes, minha imagem no espelho...olhos seguem e parei no guarda roupa.
Levantei, como se fosse um peso sair do chão, abri as portas e um suspiro surdo saiu de meus lábios.
Gavetas vazias, cabides vazios, espaços vazios. Um murmúrio de meus lábios, palavras ininteligíveis.
Tanto espaço senti.
Para onde foram as blusas? As calças? A desorganização sempre presente?
Que dor na alma!
Chorei!
Despedaçada.
Deitei na cama, do lado vazio também.
E então olhei para o outro lado e o que vi?
ESPAÇO, ESPAÇO, ESPAÇO.
Medo e solidão.
As lágrimas que caiam sem soluços se misturaram com uma tímida gargalhada.
É isso mesmo, eu estava sorrindo, chorando de tanto rir.
ESPAÇO em pedaços.
O guarda roupa agora é todo meu!
Nada de vestidos enrolados no fundo, minhas saias podem se misturar, posso até colocar meus inúmeros colares.
E me dei conta que a cama também é TODA minha. Posso dormir de ponta cabeça, nada de ronco.
E cada vez mais eu gargalhava.
Foi uma catarse.
Eu precisava.
Sei que dói, que faz falta.
Mas se eu não olhar para o que ficou como OPORTUNIDADE irei entrar no sofrimento cada vez mais.
Então é assim que estou hoje.
No vazio encontrei forças.
E na dor iniciei a juntar meus pedaços.

Textos publicados pelo autor nos comentários do @3serpentes durante os campeonatos de microcontos.

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