4º campeonato · Rasgar
Rasgando a própria sorte.
Fim de tarde, eu seguia para casa, pálido pela labuta. Na carteira, um tostão garantido, mas o mês ainda incerto. Minha esposa cansada me esperava, mas, o copo de aguardente estendia meu caminho. Semanalmente, religiosamente, garantia o bilhete entregue pelo sorriso da atendente. O bilhete nunca me trouxe a sorte. Aprendi a não mais acreditar. Rasgava-o, mesmo sem conferir. Evitava o azar. Culpava o destino.