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Microconto

Campeonatos de microcontos · Autores

@_danielersouza_

12 microcontos no 5º campeonato.

5º campeonato · Cebola

Ele me cortava. Doía. Eu chorava e o fazia chorar. Acredito que todos temos um propósito na vida. O meu? O de alimentar!

5º campeonato · Cebola

Escuridão! Um frio que congelaria sua alma, se a possuísse! De repente, luz! Se uma boca lhe pertencesse, riria das coincidências do destino: fora das prateleiras onde habitavam multidões, ali se reencontravam em uma panela de sopa.

5º campeonato · Cebola

Camadas! Duras, macias. Umas pequenas, outras maiores... Divergência! Mas todas fazendo parte de algo maior. Eram como pessoas e ali ela se via.
Riu.

5º campeonato · Nota

A cada dobra do tempo, linhas são tecidas em minha pele. Enquanto no papel, sombras as consomem. No fim, não passam de juras prometidas à uma eternidade desfeita.

5º campeonato · Desejo

Seus olhos estavam fixos em mim, aguardando por resposta. "Apenas um desejo". E dentre inúmeros anseios, optei pelo que julguei ser essencial para alcançar todos os outros: desejei não me perder novamente.

5º campeonato · Ninguém

Havia um tempo em que muitos os ansiavam. Narrativas das mais belas, envolventes e sedutoras. Onde os sonhos dançavam e o cenário se transmutava como mágica. Talvez fosse. De súbito, o imediato. Gritos! Súplicas ecoavam. Agonia! Raros são os que se tornaram aptos a atender seus apelos. Contudo, por efêmeros instantes. Tais súplicas, meus caros, vinham de velhos livros esquecidos em uma biblioteca abandonada. Até que... BERROS! Já ninguém mais era capaz de ouvi-los. E no fim, seus ecos se dissiparam em vazio.

5º campeonato · Vazio

Ele se encontrava imerso em um mar de reflexões, tentando se recordar porque concordara em fazer essa viagem. Cinco longos meses vinham se arrastando e estava a ponto de enlouquecer. Por vezes, até se agarrava na lembrança de quando decidira se tornar astronauta. O ambiente ao seu redor era um labirinto de metal, máquinas, fios, botões e pequenas janelas que ofereciam uma bela vista para o desconhecido. Seu amor pelo trabalho era inegável, mas a solidão, por vezes, o tomava por completo, sufocando-o.
Estava perdido em seus pensamentos, até que, abruptamente, algo o trouxe de volta ao presente. Era algo tão improvável que ele mal conseguia acreditar..., mas estava de fato acontecendo: ouvia o som de três batidas fortes. E estavam vindo da porta de sua nave.
- Bum. Bum. Bum – a sequência fazia o metal soar estridente.
Seu coração batia descontroladamente em seu peito e o medo se apoderava de cada fibra de seu ser. Ele encontrava-se atônito. O tempo se entendia em segundos e se transformavam em minutos.
- Bum. Bum. Bum – quem quer que estivesse lá fora não parecia disposto a desistir.
Em meio ao caos que estava sua mente, uma parte de si sentiu-se incapaz de ignorar o chamado. Sua intuição gritava “perigo”, mas passos curtos e incontroláveis passaram a guia-lo até seu destino irrecusável. E a cada passo dado, o chamado se intensificava. Apesar das probabilidades, ao abrir a porta, esperava encontrar outro ser humano. Mas era o vazio do infinito quem o aguardava.
Seu coração estava finalmente em paz. E ele, como se reconhecessem como velhos amigos, o abraçou.

5º campeonato · Estrela

Eram narradores silenciosos; testemunhas que colecionavam os segredos mais antigos do universo. Guardavam guerras e humanidades.

5º campeonato · Estrela

Cada brilho era um desejo guardado pela escuridão. Era esperança.

5º campeonato · Pétala

Com um suspiro, ela recolheu suas pétalas e esperou pela ressurreição da primavera.

5º campeonato · Corpo

Naquela noite, seu corpo era celeste.

5º campeonato · Corpo

Sob o manto noturno estrelado, incontáveis luzes vermelhas dançavam ao som de rostos abismados. Faixas amarelas isolavam a multidão. "O envolvimento da alta classe, torna o crime significativo", ecoava em sua mente a voz de seu superior. Antes que pudesse entrar em cena, viu que o sargento Pereira deixava o local. Sua expressão não era muito diferente dos demais. De fato, era ainda pior. Seu rosto redondo e cepáceo, agora pálido, exalava o puro terror.
Adentrou a garagem daquela residência majestosa que pertencia à cirurgiã plástica mais renomada de Florianópolis, e de imediato, deparou-se com uma escada ao centro que conduzia ao subterrâneo. Ao descer, seguiu pelo corredor de concreto que se estendia adiante, levando a uma sala ampla, isolada por uma cortina de PVC transparente.
Ao transpassá-la, deparou-se com o caos. Seus colegas analisavam o cenário macabro freneticamente. Equipamentos e instrumentos médicos e da polícia surgiam de toda parte; macas brancas estavam dispostas em fileiras duplas. E em uma delas, ao fundo, no canto mais à direita, jazia uma mulher. Em seus olhos, habitavam o vazio, e seu corpo estava marcado pela violação de seu interior. À toda volta, de forma padronizada, disponham-se corpos humanos empalhados adornados por pétalas do pecado. Eram seus troféus.
Escoltada por um de seus colegas, emergia uma mulher de uma beleza deslumbrante. Ela gargalhava de seu circo particular. Tinha por volta dos quarenta anos e era o tipo de mulher que atrairia a atenção de todos.
Ninguém, nem mesmo em seus pesadelos mais profundos, poderia imaginar que tal inferno poderia vir do paraíso. Essa era a nota da sua loucura! De súbito, um embaralho de sentimentos o atingiu a galope enquanto ela proferia a esmo: "Realizei seus maiores desejos. Tornei-os eternos."

Textos publicados pelo autor nos comentários do @3serpentes durante os campeonatos de microcontos.

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